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Terça-feira, Agosto 29, 2006

Makrothumia - Os Frutos do Espírito

MAKROTHUMIA ( Gl 5.22,23).

A Paciência Divina e Humana

Mackrothumia, o substantivo, makrothumos, o adjetivo e makrothumein, o verbo, são expressoss na ARC E ARA pela idéia de LONGANIMIDADE e PACIÊNCIA.

São palavras muito expressivas. Em inglês fala-se de pessoas com paciência curta, e em português, de “de pouca paciência”. Não se usa uma frase que deveria ser o antônimo: a pessoa tem “paciência longa”. Mas temos a palavra longanimidade, porque makros significa grande ou longo, e thumos quer dizer ânimo ou disposição. Temos a palavra magnanimidade, que significa grandeza de coração. Na Vulgata makrothumia, é traduzida bem literalmente pela palavra longanimitas, e as primeiras edições da Bíblia Católica Romana de Rheims (em inglês) procuram introduzir na língua inglesa a palavra longanimity em 2 Pe 3.15 e Cl 1.11; a palavra longanimidade existe em português como expressão perfeita da idéia neste grupo de vocábulos gregos.

Makrothumia expressa uma certa atitude para com as pessoas e eventos. Expressa a atitude para com as pessoas de nunca perder a paciência, por poucos e razoáveis que elas sejam, e de nunca perder a esperança com relação a elas, por menos agradáveis e dóceis que sejam. Expressa a atitude para com os eventos de nunca admitir derrota e de nunca perder a esperança e fé, por mais obscura que seja a situação., por mais incompreensíveis que os eventos se mostrem, ou por mais severa que seja a correção divina.

É uma qualidade da qual os comentaristas do NT têm dado muitas definições excelentes, Trench diz que ela descreve: “a mente que suporta por muito tempo, antes de dar lugar a ação da ira”. T. K. Abbott diz que
“makrothumia é o auto-controle que não se apressa em retribuir o mal sofrido”. Plummer diz que é “a tolerância (ou longanimidade) que suporta as injúrias e as ações malignas sem ser provocada à ira ou vingança”. Moffatt a descreve como “a tenacidade com que a fé vai suportando”.

No Testamento de José (2.7) temos a frase “A makrothumia é um grande remédio”. Há um ditado de Menandro que Plutarco cita: “Uma vez que você é mero homem, nunca peça aos deuses um vida sem problemas, mas peça makrothumia” Poderíamos muito bem traduzir makrothumia como “o poder de levar as coisas até o fim”.

Makrothumia não é uma palavra do grego clássico, mas entrou no vocabulário cristão como uma história grandiosa, porque é uma das grandes palavras do AT grego. No AT, movimenta-se em três esferas.

a) Significa paciência com os eventos – O uso mais iluminador da palavra neste sentido é 1Mc 8.4 – Ali o escritor atribui a grandeza de Roma à sua política e à sua paciência, à sua makrothumia, e, conforme diz R.C Trench, essa makrothumia foi expressada pela determinação de Roma de que “nunca faria a paz em condições de derrota”. Os romanos tinham a perseverança que podia perder uma batalha, e até mesmo perder uma campanha mas que nunca admitiria a derrota numa guerra. Diz-se que o teste de um exército pe de como ele luta quando os soldados estão famintos e cansados. Makrothumia é o espírito que não reconhecerá nem admitirá a derrota

b) Significa a – paciência com as pessoas. Significa o espírito que nunca perde a paciência com as pessoas, nem a esperança para com elas; que nunca se tornará em amargura ou concordará em ser definitivamente repelido. Neste espírito e qualidade o AT vê a origem das coisas mais importantes da vida.

1) É a base do PERDÃO. É o espírito que leva o homem a adiar a sua ira (Pv 19.11), e recusar-se a ficar irado é meio-caminho andado para o perdão.

2) É a base da HUMILDADE. O paciente de espírito é melhor do que o orgulhoso de espírito (Ec 7.8). Makrothumia impede o homem de colocar-se no centro do quadro e de fazer dos seus sentimentos o padrão para tudo

3) É obviamente o alicerce da COMUNHÃO. O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo apazigua a luta (Pv 15.18). O homem que sempre está com o dedo no gatilho da sua ira destrói a amizade e a comunhão; o homem cujo gênio está sob controle solidifica a comunhão, e não deixa surgir a contenda.

4) É a base de todos os BONS RELACIONAMENTOS pessoais. Conforme Moffatt traduz Pv 25.15: “O homem irado é apaziguado pela longanimidade”. Makrothumia sempre suaviza e nunca exarceba. Recusa-se a permitir uma falha entre os relacionamentos pessoais, e faz um grende esforço para saná-la, quando ela surge.

5) É a base de toda a SABEDORIA VERDADEIRA. “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura (Pv 14.29). O ditado judaico diz: “O homem irritadiço não pode ensinar”, e, da mesma forma, ele também não pode aprender. A primeira necessidade da aprendizagem é a paciência.

6) É a base de ALEGRIA PERPÉTUA. Conforme diz Bem Siraque: “A paixão do ímpio não será justificada, porque o ímpeto de sua cólera é a sua ruína. O paciente resistirá até o momento oportuno, mas depois a alegria brotará para ele” (Ecli 1.22,23). O homem impetuoso destrói a sua própria felicidade e também a dos outros; o homem de gênio sereno traz a felicidade para si mesmo e para todos como os quais entre em contato.

7) É a base de TODO PODER LEGÍTIMO. “Melhor o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade” (Pv 16.32). O homem que pode dominar a si mesmo é o homem que pode governar aos outros.


C) Mas o fato mais sublime no tocante a esta palavra é que descreve o caráter do próprio Deus.

Há uma descrição de Deus que percorre o AT como um refrão. Deus passou diante de Moisés e proclamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e LONGÂNIMO, e grande em misericórdia e fidelidade” (Ex 34. 6). Disse Neemias: “Porém tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-se, e grande em bondade” (Ne 9.17). Repetidas vezes nos Salmos achamos o grande refrão de regozijo: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sal 103.8; 86.15; 145.8). Foi exatamente isso que Jonas não percebeu e teve que aprender (Jn 4.2). Nesta longanimidade e demora em irar-se por parte de Deus, vemos certas verdades a respeito da atitude de Deus para com o pecador..

1) A makrothumia de Deus é a ESPERANÇA DO PECADOR. Porque Deus é misericordioso, compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, Joel conclama as pessoas a rasgarem o seu coração, e não as suas vestes, e a se converterem a Deus (Jl 2.13). Sem a paciência de Deus, não poderia haver lugar para o arrependimento.

2) A makrothumia de Deus é a ADVERTÊNCIA AO PECADOR. O pecador não ousa pensar que, se nada aconteceu, ele escapou das conseqüências do seu pecado. “Não digas: ‘pequei, o que me aconteceu?’, porque o Senhor é paciente. Ele não te soltará de modo algum” (Ecli. 5.4 – LXX ). É realmente na Sua longanimidade que Deus visita os pecados dos pais nos filhos até a terceira geração (Nm 14.18). Porque Deus é paciente, ele tem a última palavra.

3) A makrothumia de Deus pode ser a CONDENAÇÃO do pecador. Em 2 Mc 6.14 há o pensamento terrível de que Deus é paciente com os homens, e deixa-os agirem por conta própria até que cheguem a medida máxima de seus pecados – então vem o julgamento. O homem pode usar a longanimidade de Deus para sua própria destruição.

Agora, voltemo-nos para o uso e o significado de makrothumia no NT. Aqui, move-se nos mesmas três esferas de significado do AT.

a) Makrothumia fala da paciência de Deus.

1) Em 2 Pe a paciência de Deus é apresentada no seu sentido mais amplo. “Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor ( 2Pe 3.15). É questão debatível se “o Senhor” é Jesus ou Deus, mais o significado do dito não é realmente afetado. O pano de fundo no qual 2 Pedro foi escrito é a decepção e desilusão por causa da demorada Segunda vinda de Jesus Cristo. E o argumento do escritor é que esta demora não é insensibilidade; é paciência. É oportunidade para os homens se arrependerem e crerem no evangelho, para transformarem sua pecaminosidade em santidade, e tornarem sua imprudência em preparação. Por trás disto há o pensamento de que Deus teria sido justo se explodisse o mundo ao ponto de não existir mais, e de que, se fosse humano, teria agido assim há muito tempo; mas na Sua paciência. Ele espera dando aos homens a oportunidade para aceitarem a salvação

Em Paulo temos exatamente o mesmo pensamento, e de modo ainda mais pessoal. Em 1Tm 1.12-16 – Paulo conta como blasfemava, perseguia e insultava a Cristo, sendo o principal dos pecadores. Mas nele Jesus demonstrou Sua perfeita longanimidade. Com paciência, Jesus operou até que Paulo, o perseguidor, se tornasse no Paulo pronto a ser o apóstolo.

A paciência de Deus aguarda, ao passo que a impaciência do homem já há muito tempo teria agido em ira destruidora.

2) Mas a paciência de Deus é mais do que o simples aguardar; ela está chamando os homens a se arrependerem. Deus é longânimo, não querendo que ninguém pareça, senão que todos cheguem ao arrependimento (2Pe 3.9). Os homens nunca devem abusar da bondade e longanimidade de Deus, porque essa bondade não visa ser uma oportunidade pra o pecado, mas sim, um convite para o arrependimento (Rm 2.4). Deus não apenas aguarda os homens até que retornem ao lar; em Jesus Cristo veio busca-los e salvá-los ; e ainda agora os convence com a atuação soberana do seu Espírito Santo.

3) Assim como no pensamento do AT, a paciência de Deus pode ser usada pelos homens para a sua própria destruição. A longanimidade de Deus com Israel pode ser entendida a luz da decisão de deixar a nação obstinada seguir seu próprio caminho atpe que forçosamente acontecesse a sua rejeição final (Rm 9.22).

Deus espera com paciência; busca com paciência; e esta espera pretendem contribuir para a salvação do homem, mas o homem em sua teimosia a transforma em uma pior condenação.

b) O NT fala da makrothumia em relação ao próximo.

1) Makrothumia é a insígnia e o emblema da vida cristã. O cristão deve andar com toda humildade e mansidão e longanimidade, suportando a seu próximo em amor (Ef 4.2). O cristão deve revestir-se, como uma roupa, de ternos afetos de misericórida, de bondade , de humildade, de mansidão, de longanimidade, e deve suportar com amor o seu próximo (Cl 3.12). A longanimidade e a bondade são a marca da vida cristã (2Co 6.6). O amor cristão deve ser longânimo, paciente e benigno ( 1Co 13.4). Por mais indesejáveis que os homens sejam, o cristão deve ser longânimo para com eles (1Ts 5.14). O homem do mundo pode perder sua calma, paciência e fé nos homens; o cristão nunca deve agir assim.

2) Não é sem motivo que makrothumia ocupa um lugar de destaque entre as virtude cristãs nas Epístolas Pastorais. O amor perseverante do mestre cristão é contrastado com a estultícia dos falsos mestres (2Tm 3.10). O jovem missionário é instruído no sentido de nunca falhar na longanimidade (2Tm 4.2). E ali, sem dúvida, a palavra combina seus dois significados, porque o mestre e o pregador nunca devem perder sua esperança, por mais que os homens pareçam não corresponder, e nunca devem desesperar-se, por mais hostis que sejam as circunstâncias, Nenhum homem pode pregar ou ensinar sem makrothumia.

c) Makrothumia descreve a resposta do cristão às circusntâncias e aos eventos. Paulo ora para que os Colossenses tenham perseverança e longanimidade com alegria. O cristão aguarda, não como quem espera a noite, mas como quem espera a manhã. Esta paciência incansável faz parte da vida cristã (2Co 6.6). Devido ao fato de Abraão ter perseverado com paciência, recebeu a promessa , e esta longanimidade opera igualmente a favor do cristão que tem a mesma fé (Hb 6.12-15).

Talvez a lição mais difícil de ser aprendida seja a de esperar; como esperar quando parece que nada está acontecendo, e quando todas as circunstâncias mostram motivos para o desânimo. Tiago insiste que o cristão deve ser como os profetas que repetidas vezes tinham de aguardar a atuação de Deus; deve ser como o agricultor que lança a semente e depois, no decurso dos meses lentos, espera a chegada da ceifa (Tg 5.7-10). É bem possível que esta seja a tarefa mais difícil para uma era que fez da velocidade em deus.

De certa forma, makrothumia é a maior virtude. Não está revestida de romance e fascinação; não tem a emoção da ação repentina numa aventura; mas é a virtude do próprio Deus. Deus na Sua makrothumia tolera os pecados, recusa e rebeldia dos homens. Deus na Sua makrothumia recusa-se a abandonar Sua esperança no mundo que Ele criou e que tão frequentemente vira as costas ao seu Criador. O homem na sua vida terrena deve reproduzir a paciência incansável de Deus para com as pessoas, e a paciência que não perde a coragem com os eventos.

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