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Sábado, Agosto 05, 2006

A Escravidão da Vontade - Parte 6

Argumento 13 – O caso de Nicodemos, no terceiro capítulo de João, opõe-se ao “livre-arbítrio”.

Consideremos as virtudes de Nicodemos (Jo 3.1,2). Ele confessa que Cristo era idôneo e que viera da parte de Deus. Faz alusão aos milagres realizados por Cristo e procura-O a fim de ouvir algo de sua própria boca. Porém, ao ouvir falar sobre o novo nascimento (Jô 3.3-8), porventura Nicodemos admite que era isso o que ele vinha buscando? Não! Ele ficou atônito e confuso, repelindo a idéia, a princípio, como uma impossibilidade (Jô 3.9). Porventura os maiores filósofos chegaram a mencionar o novo nascimento? Eles nem ao menos podiam buscar por aquelas realidades pertencentes à salvação antes da chegada do evangelho. Ora, quando admitem isso, estão admitindo que o seu “livre-arbítrio” é ignorante e incapaz! Por certo, aqueles que ensinam o “livre-arbítrio” estão loucos; porém não se calarão nem darão glórias a Deus.

Argumento 14 – O “Livre-arbítrio” não tem utilidade, pois a salvação vem somente por meio de Cristo.

Torna-se claro, em João 14.6, onde se lê que Jesus Cristo é o “caminho, e a verdade, e a vida”, que a salvação só pode ser encontrada em sua pessoa. Sendo essa a verdade, tudo quanto está fora de Cristo só pode ser trevas, falsidade e morte. Qual necessidade haveria da vinda de Cristo a este mundo, se os homens, naturalmente, pudessem compreender o caminho de Deus, entender a verdade de Deus e compartilhar da vida de Deus?

Também lemos em João 3.27 que “o homem não pode receber cousa alguma se do alto não lhe for concedida”. Isso refere-se especialmente a capacidade da pessoa cumprir a vontade de Deus. Somente aquilo que vem do alto pode ajudar um homem a cumprir a vontade do Senhor. Mas o “livre-arbítrio” não vem do alto, o que significa que o “livre-arbítrio” é inútil.

Em João 3.31, diz ainda o mesmo apóstolo: “...quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos”. Ora, por certo o “livre-arbítrio” nada tem a ver com as realidades celestiais; cogita somente das coisas terrenas. O Senhor Jesus afirma, em João 8.23: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou”. Se essa afirmativa de Jesus quisesse dizer apenas que os corpos dos seus ouvintes eram terrenos, tal declaração seria desnecessária, pois eles já sabiam disso. O que Jesus quis dizer é
que aos seus ouvintes faltava, de modo absoluto, qualquer poder espiritual, e que este só poderia ser recebido de Deus.

Argumento 15 – O homem é incapaz de crer no evangelho, por isso todos os seus esforços não podem salva-lo.

Na passagem de João 6.44, Jesus Cristo diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer”. Isso não deixa qualquer espaço para o “livre-arbítrio”. E o Senhor Jesus passou a explicar com alguém é trazido pelo Pai: “Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim” (v.45). A vontade humana, por si mesma, é incapaz de fazer qualquer coisa para vir a Cristo em busca de salvação. A própria mensagem do evangelho é ouvida em vão, a menos que o próprio Pai fale ao coração e traga a pessoa a Cristo. Erasmo pretende suavizar o sentido claro desse texto ao comparar os homens a ovelhas, que atendem ao pastor quando este lhes estende o cajado. Argumenta que nos homens há alguma coisa que responde ao chamado do evangelho. Porém isso não acontece, porque quando Deus exibe o dom de seu próprio Filho a homens ímpios, estes não reagem favoravelmente antes que Ele opere em seus corações.

De fato, sem a operação interna do Pai, os homens inclinam-se mais a odiar e perseguir ao Filho, do que a segui-Lo. Entretanto, quando o Pai mostra aos homens quão maravilhoso é seu Filho, àquelas a quem tem dado entendimento espiritual, eles são atraídos a Cristo. Essas pessoas já são “ovelhas” e conhecem a voz do pastor!

Argumento 16 – A incredulidade universal prova que o “livre-arbítrio” é falso.

Em João 16.8, Jesus afirma que o Espírito Santo viria “para convencer o mundo do pecado...” E no versículo seguinte, Ele explica que o pecado consiste no fato que os homens “não crêem em mim”. Ora, esse pecado de incredulidade não se acha na pele ou nos cabelos, mas na mente e na vontade. Todos os homens, sem exceção, são tão ignorantes do fato de sua culpa de incredulidade quanto ignoram o próprio Jesus Cristo. A culpa da incredulidade precisa lhes ser revelada pelo Espírito Santo. Portanto, tudo quanto existe no homem incluindo o “livre-arbítrio”, está condenado aos olhos de Deus, contribuindo apenas para aumentar a culpa acerca da qual ele é ignorante, enquanto Deus não a revelar. A totalidade das Escrituras proclama Cristo como o único meio de salvação. Todo aquele que estiver fora de Cristo está debaixo do poder de Satanás, do pecado, da morte e da ira divina. Somente Cristo pode resgatar os homens do reino de Satanás. Não somos libertos por qualquer poder que em nós mesmos exista, mas tão somente pela graça de Deus.

Argumento 17 – O poder da carne, mesmo em verdadeiros crentes, mostra a falsidade do “livre-arbítrio”.

Por alguma razão, Erasmo, você ignorou os meus argumentos baseados em Romanos 7 e em Gálatas 5. Esses dois capítulos mostram-nos que até mesmo nos verdadeiros crentes a força da “carne” é tanta que eles não podem fazer aquilo que sabem que devem e querem fazer. A natureza humana é tão má, que mesmo as pessoas que são dotadas do Espírito de Deus, não somente falham em fazer o que é direito, como até mesmo lutam contra isso. Portanto, que possibilidade há de que aqueles que são distituídos do novo nascimento venham a praticar o bem? Conforme diz Paulo, em Romanos 8.7: “...o pendor da carne é inimizade contra Deus”. Eu gostaria de conhecer o homem que é capaz de derrubar por terra esse argumento.

Argumento 18 – Saber que a salvação não depende do “livre-arbítrio” pode ser muito reconfortante.

Confesso que eu não gostaria de possuir “livre-arbítrio” ainda que o mesmo me fosse concedido! Se a minha salvação fosse deixada ao meu encargo, eu não conseguiria enfrentar vitoriosamente todos os perigos, dificuldades e demônios contra os quais teria de lutar. Porém, mesmo que não houvesse inimigos a combater, eu jamais poderia ter a certeza do sucesso. Eu jamais poderia ter a certeza de haver agradado a Deus, ou se haveria ainda mais alguma coisa que precisaria fazer. Posso provar isso mediante a minha própria dolorosa experiência de muitos anos. Porém, a minha salvação está nas mãos de Deus, não nas minhas. Ele será fiel à sua promessa de salvar-me, não com base no que eu faço, mas de conformidade com a sua grande misericórdia. Deus não mente, e não permitirá que o meu adversário, o diabo, me arranque de suas mãos. Por meio do “livre-arbítrio”, ninguém poderá ser salvo. Mas, por meio da “livre-graça”, muitos serão salvos. E não somente isso, mas também alegro-me por saber que, como um cristão, agrado a Deus, não por cauda daquilo que eu faço, mas por causa de sua graça. Se trabalho muito pouco ou errado demais, graciosamente Ele me perdoará e me fará melhorar. Essa é a glória de todo cristão.

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