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Sábado, Julho 29, 2006

A Escravidão da Vontade - Martinho Lutero - Parte 5

Argumento 09 - Paulo é absolutamente claro ao refutar o "livre-arbítrio".

Os argumentos usados por paulo são tão claros que é de admirar que alguém possa compreendê-los mal. Diz ele: "... todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; NÃO HÁ QUEM FAÇA O BEM, NÃO HÁ NEM UM SEQUER..." Estou admirado do fato de que certas pessoas afirmam: "Algumas pessoas não se extraviaram, não se fizeram inúteis, não são más e nem pecadoras. Há alguma coisa no homem que o inclina para o bem". Ora, Paulo não fez essas declarações em apenas algumas passagens isoladas. Algumas vezes ele as fez em termos positivos, em outras vezes, em termos negativos, usando palavras diretas ou utilizando contrastes. O sentido literal de suas palavras, todo o contexto e o escopo inteiro de seu argumento afunila-se neste pensamento: à parte da fé em Cristo nada existe senão pecado e condenação. Meus oponentes estão derrotados, ainda que não queiram se render!!Porém, não está ao meu alcance convencê-los disso. Deixo isso à operação do Espírito Santo.

Argumento 10 -
O estado do homem sem o Espírito de Deus mostra que o "livre-arbítrio" nada pode fazer de natureza espiritual.

No trecho de Romanos 8.5, Paulo divide a humanidade em duas categorias - aqueles que são "carne" (ou da natureza pecaminosa) e aqueles que são do "ESpírito (ver também João 3.6). Isso só pode significar que aqueles que não têm o Espírito estão na carne e continuam presos à uma natureza pecaminosa. Paulo insiste que "...se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle" (Rm 8.9). Isso significa, obviamente, que aqueles que estão sem o Espírito pertencem a SAtanás. O "livre-arbítrio" não os tem benificiado muito! Paul afirma que "... os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8.8). Ele diz que "... o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar" (Rm 8.7). É impossível que tais poessoas possam fazer qualquer esforço, por conta própria, para agradar a Deus.

Um homem de nome Orígenes sugeriu que cada pessoa tem uma "alma" dotada de capacidade de voltar-se para a "carne" ou para o "Espírito". Mas isso é apenas produto da imaginação. Ele sonhou com tal idéia! Ele não tinha qualquer
prova pra o que afirmava. Na verdade, não há posição intermediária. Tudo que não provém do Espírito é carnal; e as melhores atividades da carne são hostis a Deus. Trata-se do mesmo ensinamento ministrado por Cristo, em Mateus 7.18, de que uma árvore~má não pode produzir bom fruto. E também está em harmonia co ma dupla declaração de Paulo - "O justo viverá por fé" (Rm 1.17), e "tudo o que não provém de fé é pecado" (Rm 14.23). Aqueles que não têm fé não estão justificados; e aqueles que não estão justificados são pecadores, nos quais qualquer suposto "livre-arbítrio" só pode produzir o mal. Portanto, o "livre-arbítrio" nada é senão um escravo do pecado, da morte e de Satanás. Tal "liberdade", enfim, NÃO É LIBERDADE ALGUMA.

Argumento 11 - Aquele que chegam a conhecer a Cristo não pensavam previamente sobre Cristo, nem O buscavam, nem se prepararam para conhecê-Lo.

Em Romanos 10.20, Paulo cita Isaías 65.1: "Fui buscado dos que não perguntavam por mim; fui achado daqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui". Paulo reconhecia, pos sua própria experiência, que ele não buscara a graça de Deus, mas a recebera apesar de sua furiosa cólera contra ela. Diz Paulo, em Romanos 9.30,31, que os judeus, que envidavam grandes esforços para observar a lei, não foram salvos por esses esforços, mas que os gentios, que eram totalmente ímpios, forqam salvos pela misericórdia de Deus. Isso demonstra claramente que todos os esforços do "livre-arbítrio" do homem são inúteis para a sua salvação. O zelo dos judeus não os conduziu a parte alguma, ao passo que os ímpios gentios receberam a salvação. A graça é gratuitamente ofertada a quem não a merece, nem é digno; não é conquistada por qualquer esforço que o melhor e mais justo dentre os homens tenha tentado empreender.

Argumento 12 - A salvação para o mundo pecaminoso é pela graça de Cristo, exclusivamente mnediante a fé.

Voltemos-nos agora para João, que também escreveu com eloqüência contra o "livre-arbítrio". Diz ele, em João 1.5: "A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. E, em João 1.10,11: "Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam". Por "mundo", João dá a entender a humanidade inteira. Visto que o "livre-arbítrio" seria uma das mais excelentes faculdades do homem, deve ser incluído em qualquer coisa que João diz acerca do "mundo". Por conseguinte, de acordo com esses textos, o "livre-arbítrio" não reconhece a luz da verdade, mas antes, odeia a Cristo e ao seu povo. Muitas outras passagens, como João 7.7; 8.23; 14.7; 15.19; e 1Jo 2.16; 5.19, proclamam que o "mundo" (o que inclui, especialmente, o "livre-arbítrio) está debaixo do controle de Satanás.

O "mundo" inclui tudo quanto não foi separado para Deus por meio do Espírito Santo. Ora, se tivesse havido alguém neste mundo que, por meio de seu"livre arbítrio", não tivesse odiado a Cristo, então João teria alterado o que escreveu. Entretanto, ele não o fez. Torna-se evidante, portanto que o "livre-arbítrio" é tão culpado quanto o "mundo". Em João 1.12,13, o mesmo apóstolo prossegue: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". As palavras "não nasceram do sangue" - significam que é inútil alguém depender de sua origem familiar ou do local do seu nascimento. As palavras "nem da vontade da carne" apontam para a insensatez de se depender das obas de lei. E as palavras "nem da vontade do homem" mostram que nehum esforço humano pode conseguir tornar alguém aceitável a Deus.
Se é que o "livre-arbítrio" tem alguma utilidade, então Jão não deveria ter rejeitado a "vontade do homem", porquanto, de outro modo, estaria em perigo conforme Isaías 5.20: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal" - Não há margem para dúvida de que a origem familiar é inútil para que alguém, através dela, venha a obter a salvação, porque em Romanos 9.8 - Paulo escreve: "Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa".
Além disso, João também afirma, em João 1.16: "Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça". - Isso posto, recebemos bençãos espirituais exclusivamente através da graça derivada de outrem, e não através de nossos próprios esforços. Duas idéias contrárias não podem ser ambas verdadeiras. É impossível qeu a graça divina seja tão sem valor que qualquer um, em qualquer lugar, seja capaz de obtê-la, ao mesmo tempo que essa graça é tão valiosa que só podeos recebê-la através dos méritos de um único homem, Jesus Cristo.
Como eu gostaria que os meus opositores percebessem quando advogam a causa do "livre-arbítrio", estão negando a Cristo. Se podemos abter graça divina mediante o nosso "livre-arbítrio", então não temos necessidade de Cristo. E, se temos a Cristo, não precisamos do "livre-arbítrio". Aqueles que defendem o "livre-arbítrio" atestam sua negação a Cristo por meio de suas ações, porquanto alguns deles chegam ao extremo de apelar para a intercessão de Maria e de "santos", não dependendo de Cristo como o único mediador entre Deus e o homem. Todos esses têm abandonado a Cristo em sua obra como mediador e gracioso salvador, considerando os méritos de Cristo de menor valor do que seus próprios esforços.

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