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Segunda-feira, Julho 17, 2006

Escravidão da Vontade - M. Lutero.

Argumento 06 - Não há lugar para qualquer idéia de mérito ou recompensa pelas boas obras.

Aqules que pregam o "livre-arbítrio" afirmam que se não há "livre-arbítrio" então também não há lugar para o mérito ou para a recompensa.

O que dirão os defensores do "livre-arbítrio" a respeito da palavra "gratuitamente", em Romanos 3.24? Paulo diz que os crentes são "justificados gratuitamente por sua graça". Como interpretam "por sua graça"? Se a salvação é gratuita e oferecida pela graça divina, então não se pode conquistá-la ou merecê-la. No entanto, Erasmo argumenta que a pessoa deve ser capaz de fazer alguma coisa a fim de merecer a sua salvação, ou ela não merecerá ser salva. Erasmo pensa que a razão pela qual Deus justifica uma pessoa e não outra, é que uma delas usou o seu "livre-arbítrio", e tentou tornar-se justa, enquanto que a outra não o fez. Erasmo e algumas outras pessoas, como ele, admitem que os homens conseguem fazer muito pouco através de seu "livre-arbítrio" para obterem a salvação. Afirmam que o "livre-arbítrio" tem apenas um pouco de merecimento - não é digno de muita recompensa. E, não obstante, ainda pensam que o "livre-arbítrio" torna possível às pessoas tentarem encontrar a Deus. Imaginam, igualmente que se as pessoas não tentam encontrá-LO, cabe exclusivamente a elas a culpa, se não recebem a graça divina.

Portanto, sem importar se esse "livre-arbítrio" tem grande ou pequeno mérito, o resultado é o mesmo. A graça de Deus seria obtida por meio do "livre-arbítrio". Todavia, Paulo nega toda a noção de mérito quando afirma que somos justificados "gratuitamente". Aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" possui apenas um pequeno mérito erram tanto como aqueles que dizem que ele possui muito mérito, pois ambos ensinam que o "livre-arbítrio" tem mérito suficiente para obter o favor de Deus. Portanto, em quase coisa alguma diferem um do outro.

Na verdade esses defensores da idéia do "livre-arbítrio" nos dão um perfeito exemplo do que significa "saltar da frigideira para dentro do fogo". Quando eles dizem que o "livre-arbítrio" tem apenas um pequeno mérito, eles pioram a sua posição, ao invés de melhorá-la. Pelo menos aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" envolve um grande mérito (Os chamados Pelagianos) conferem um elevado preço a graça divina, porquanto concebem que um grande mérito é necessário para alguém obter a salvação. Todavia, Erasmo barateia a graça divina, podendo ser obtida por meio de um débil esforço. No entanto, Paulo transforma em nada essas idéias usando apenas uma palavra
- "gratuitamente" (Rm 3.24). Mas adiante, em Romanos 11.6, ele assevera que a nossa aceitação diante de Deus depende apenas da graça de Deus: "E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça". O ensino paulino é perfeitamente claro. Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem se importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do "livre-arbítrio", estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.
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Argumento 07 - O "livre-arbítrio" não tem valor porque as obras nada têm a ver com a justiça do homem diante de Deus
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Passarei agora a considerar os argumentos de Paulo, em Romanos 4.2,3: "Porque se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça". Ora, Paulo não nega que Abraão era um homem justo. Mas o ponto em questão é que essa justiça não lhe outorgou salvação. Ninguém discorda que as obras más não saõ aceitáveis diante de Deus. Isso é óbvio. O argumento paulino, entretanto, é que nem mesmo as boas obras nos tornam aceitáveis diante de Deus. Elas merecem somente a sua ira, jamais o seu favor. Em Romanos 4.4,5, Paulo contrasta a perssoa "que trabalha" com aquela que "não trablha". A justificação, que equivale
a aceitação diante de Deus, não é atribuída "àquele que trabalha", mas àquele que "não trabalha" mas crê no Senhor. Não há posição intermediária.

Argumento 08 - Um punhado de refutações.

Preciso mencionar, de passgem, mais alguns argumentos contra o "livre-arbítrio". Mas me referi a eles apenas de modo breve, embora cada um despes, per si, pudesse destruir completamente a idéia do "livre-arbítrio".

Por exemplo, a fonte da graça mediante a qual somos salvos é o propósito eterno de Deus. Isso sem dúvida ainda anula a sugestão de que Deus é gracioso para conosco por causa de alguma coisa que possamos fazer.

Um outro argumento alecerça-se sobre o fato que Deus prometeu a salvação por meio da graça (a Abraão), antes mesmo do Senhor haver dado a lei. Paulo argumenta, em Romanos 4.13-15 e Gálatas 3.15-21, que se somos salvos mediante a observância da lei, através do "livre-arbítrio", isso significaria que a promessa da salvação pela graça foi cancelada. E a fé, igualmente, perderia seu valor.

Paulo também nos diz que a lei pode apenas revelar o pecado, sendo incapaz de removê-lo. Visto queu o "livre-arbítrio" só pode operar com base na observância da lei, não pode haver retidão aceitável diante de Deus obtida pelo "livre-arbítrio"

Um último lugar, estamos todos debaixo da condenação divina, em face da pecaminosa desobediência de Adão.Estamos todos sujetito a essa condenação, desde nosso nascimento, incluindo aqueles que são possuidores do "livre-arbítrio" - se pessoas assim existem! De que outra forma então poderia o "livre-arbítrio" nos ajudar, senão a pecar e a merecer a condenação?

Eu poderia ter deixado de lado esses argumentos, apresentando tão somente um comentário geral sobre os escritos de Paulo. Todavia, quis demonstrar quão ignorantes mentalmente são meus oponentes, por deixarem de perceber com clareza essas simples questões. Deixo que meditem sozinhos a respeito desses argumentos.

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