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Terça-feira, Julho 11, 2006

A Escravidão da Vontade - Argumentos 2 e 3.

Argumento 2: O domínio Universal do pecado prova que o "livre-arbítrio" é falso.

Precisamos permitir que Paulo expliqeu o seu próprio ensinamento. Diz ele em Romanos 3.9: "Que se conclui? Temos nós, os judeus, qualquer vantagem (sobre os gentios)? não, de forma nenhuma; pois já temos demosntrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado".

Não somente são todos os homens,sem qualquer exceção, considerados culpados à vista de Deus, como também escravos desse mesmo pecado que os torna culpados. Isso inclui os judeus, os quais pensavam que não eram servos do pecado porque possuíam a lei de Deus. Mas, visto que nem judeus nem gentios têm-se mostrado capazes de desvenlilharem-se dessa servidão, torna-se evidente que no homem não há poder que o capacite a praticar o bem.

Essa escravidão universal ao pecado inclui até mesmo aqueles que parecem ser os melhores e mais retos. Não importa o grau de bondade que um homem possa alcançar; isso não e a mesma coisa que possuir o conhecimento de Deus. O mais admirável que há nos homens é sua razão e sua vontade, todavia, é forçoso reconhecer que essa mais nobre porção dos homens está corrompida. Diz Paulo, em Romanos 3.10-12: "Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem fala o bem, não há nem um sequer". O significado dessas palavras é perfeitamente claro. Deus é conhecido através da razão e da vontade humana. Porém, nenhum ser humano, somente por sua natureza, conhece a Deus. Precisamos concluir
, por conseguinte, que a vontade humana está corrompida e que o homem é totalmente incapaz, por si mesmo, de conhecer a Deus ou de agradá-lo.

Talvez alguma pessoa audaciosa atreva-se a dizer que somos capazes de fazer mais do que de fato fazemos; porém, o que aqui nos interessa é o que somos capazes de fazer, e não o que estamos ou não estamos fazendo. O trecho das Escrituras citado por Paulo, em Romanos 3.10-12, não nos autoriza a fazer tal distinção. Deus condena tanto a incapacidade pecaminosa dos homens quanto os seus atos corruptos. Se os homesn fossem capazes, ainda que o mínimo possível, de movimentarem-se em direção a Deus, não haveria mais qualquer necessidade de Deus salvá-los. Deus permitiria que os homens salvassem-se a si mesmos. Porém, nenhum deles está apto nem ao menos a fazer a tentativa.

No trecho de Romanos 3.19, Paulo declara que toda a boca se calará diante de Deus, porque ninguém poderá argumentar contro o julgamento divino, visto que nada existe, em pessoa alguma, digno de ser elogiado pelo Senhor - nem ao menos um arbítrio livre para voltar-se espontaneamente para Ele. Se alguém disser: "Tenho uma capacidade própria, ainda que pequena, de voltar-me para Deus", esse alguém deve estar querendo dizer que pensa que nele há alguma coisa a qual Deus possa elogiar e não condenar. Sua boca não está calada, mas tal idéia contradiz as Escrituras.

Deus ordenou que toda boca ficasse calada. Não é apenas certos grupos de pessoas que são culpados diante de Deus. Não apenas os fariseus, dentre o povo israelita, estão condenados. Se isso fosse a verdade, então os demais judeus teriam tido alguma capacidade própria para guardar a lei e evitar de tornarem-se culpados. Porém, até mesmo os melhores dentre os homens estão condenados por sua impiedade. Estão espiritualmente mortos, da mesma forma que aqueles que de maneira alguma procuram guardar a lei de Deus. todos os homens são ímpios e culpados, e merecem ser punidos por Deus. Essas coisas são tão evidentes que ninguém pode nem mesmo sussurar uma palavra contra elas!

Argumento 3: O "livre-arbítrio" não pode obter aceitação diante de Deus através das observância da lei moral e cerimonial.

Eu argumento que quando Paulo disse em Romanos 3.20,21: "...ninguém será justificado diante dele por obras da lei", pensou na lei moral ( os dez mandamentos), bem como na lei cerimonial. Tem-se generalizado a idéia de que Paulo tinha em mente apenas a lei cerimonial - o ritual de sacrifícios de animais e a adoração no templo. É espantoso que chamem Jerônimo,que criou essa idéia de santo! Eu o classificaria de forma bem diferente! Jerônimo declarou que a morte de Cristo pôs fim a qualquer possibilidade de alguém ser justificado (ou declarado justo) por meio da observância da lei cerimonial. Mas deixou inteiramente aberta a possibilidade de alguém ser justificado mediante a observância da lei moral, contando apenas com as suas próprias forças, sem a ajuda de Deus.



Minha resposta a isso é que se Paulo quis dar a entender somente a lei cerimonial, então o argumento do apóstolo não tem qualquer significado. Paulo estava afirmando que todos os homens são injustos e necessitados da graça especial de Deus - o amor, a sabedoria e o poder de Deus - por intermédio dos quais Ele nos salva. O resultado da idéia de Jerônimo seria que a grala de Deus é necessária para salvar-nos da lei cerimonial, mas não da lei moral. Todavia, nós não podemos observar a lei moral à parte da graça divina. Você pode intimidar as pessoas para que observem as cerimônias, mas nenhum poder humano pode forçá-las a guardar a lei moral. paulo estava argumentando que não podemos ser justificados diante de Deus mediante a tentativa de guardar a lei moral, ou mesmo a lei cerimonial. Comer e beber, e fazer outras coisas semelhantes, em si mesmos, nem nos justifica nem nos condena.

Irei ainda mais longe, afirmando que Paulo queria dizer que a totalidade da lei, e não alguma porção particular dela, é obrigatória a todos os homens. Se a lei não se aplicasse mais aos homens devido a morte de Cristo, tudo quanto Paulo precisava dizer era isto e nada mais. Em Gálatas 3.10, Paulo escreveu: "Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da lei, para praticá-las". Nesse texto, Paulo busca apoio em Moisés para afirmar que a lei é imposta sobre todos os homens, e que o fracasso na obediência à lei sujeita todos os homens a maldição divina.

Nem os homens que procuram obedecer a lei, nem aqueles que não tentam guardá-la estão justificados diante do Senhor, porquanto todos estão espiritualmente mortos. O ensinamento de Paulo é que há duas classes de pessoas no mundo - aquelas que estão espiritualmente vivas e aquelas que não estão. Isso está em harmonia com o ensinamento de Jesus Cristo em João 3.6: "O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito". Para as pessoas que não possuem o Espírito Santo, a lei é sem utilidade. Não importa quanto procurem guardar a lei, não serão justificados exceto pela fé.

Finalmente, portanto, se existe tal coisa como o "livre-arbítrio", deve ser a mais nobre das capacidades humanas, porque, mesmo sem o Espírito Santo, professa possibilitar o homem a guardar a lei inteira! Entretanto, Paulo assevera que aqueles que são das "obras da lei" não estão justificados. Isso significa que o "livre-arbítrio", mesmo considerado por seu melhor ângulo, é incapaz de corrigir a situação do homem diante de Deus. De fato, em Romanos 3.20, Paulo afirma que a lei é necessária para mostrar-nos no que consiste o pecado: "...pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". Aqueles que são das "obras da lei" não são capazes de reconhecer o que o pecado realmente é. A lei não foi dada a fim de mostrar aos homens o que eles podem fazer, mas para corrigir as suas idéias sobre o que é o certo e o errado aos olhos de Deus. O "livre-arbítrio" é cego, porquanto precisa ser ensinado pela lei. E também é impotente, pois não consegue justificar a ninguém diante de Deus.

1 Comments:

Blogger Sandro Silva said...

Estes argumentos de Lutero "jogam por terra" toda e qualquer utilidade do "livre-arbítrio", que os homens tanto dizem ter. Se nascemos pecadores e toda nossa natureza está contaminada pelo pecado, logo que tudo que somos e praticamos é pecaminoso também. Como pode a própria Igreja hoje ensinar que o homem tem alguma capacidade de ir a Cristo? A impressão que dá é que os pastores hoje tiveram uma formação baseada no ensino de Erasmo, Jerônimo. Que pecado a Igreja comete em anular e distorcer a graça e o poder do evangelho de Cristo. Que Deus tenha misericórdia da Sua Igreja!!!

9:32 PM  

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