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Quarta-feira, Junho 28, 2006

Expiação - Sua Base

Ao empregar este termo, a exigência da Expiação, estamos fazendo uso de uma expressão que pede por uma definição e uma explicação clara. Infelizmente, muitos escritores têm falhado ao executar tal tarefa, com a conseqüência de que pontos de vista descuidados e muitas vezes desonrosos a Deus são mantidos neste aspecto específico do nosso assunto. Dizer que Deus deve ou não deve fazer certas coisas é a linguagem da impiedade desonrosa, a menos que expressamente avalizada pelas próprias palavras das Sagradas Escrituras. Vivemos em uma época que é fortemente marcada pela irreverência, e as mais degradantes opiniões sobre o Todo-Poderoso são agora mantidas por alguns que imaginam serem bem ortodoxas estas suas opiniões do Todo-Poderoso. Seria um assunto simples para nós, dar ilustrações e provas disso, mas nos refreamos de corromper nossos leitores (I Co 15:33“Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”). Suficiente é agora apontar, uma vez mais, que nunca houve época em que o povo de Deus mais ardentemente precisasse de atentar às palavras, “Examinai tudo” (I Ts 5:21).
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“Até isto procede do Senhor dos Exércitos; porque é maravilhoso em conselho e grande em obra.” (Isaías 28:29). A sabedoria infinita nunca age sem propósito . Deus, que é perfeito em conhecimento, nada faz sem um bom motivo. Todas as Suas obras são adequadas de conformidade com os Seus propósitos inerrantes. Isto é igualmente verdadeiro nos Seus atos de criação, providência e graça. No final dos seis dias de trabalho, lemos que, “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom ...” (Gn 1:31). No que diz respeito ao Seu governo sobre nós, “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28). E quanto à operação da Sua graça, a fé afirma sem hesitação que “Tudo faz bem;” (Marcos 7:37).
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Agora, a mais
maravilhosa dentre todas as obras de Deus é aquela que foi executada pelo Seu Filho aqui na terra. Quando tentamos contemplar o que aquela Obra envolveu, nos perdemos em assombro. Quando nós seriamente nos engajamos em estimar as profundezas da vergonha e da humilhação inexprimíveis nas quais adentrou o Amado do Pai, somos chocados e abalados, aterrorizados. Que o Filho eterno de Deus devesse por de lado os mandos de Sua glória inefável e tomar sobre Si a forma de um servo, que o Governador do céu e da terra devesse ser “nascido sob a lei” (Gl 4:4), que o Criador do universo devesse congregar neste mundo e “não ter onde reclinar Sua cabeça” (Mt 8:20), é algo que a mente finita não pode compreender; mas onde a razão carnal nos falha, uma fé dada por Deus crê e adora.
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À medida em que traçamos o caminho trilhado por Aquele que era rico e todavia pobre se fez por nossa causa, nada mais podemos sentir, a não ser que adentramos no domínio do mistério; mais ainda quando aprendemos que cada passo do Seu caminho havia já sido ordenado nos eternos conselhos da Divindade. Todavia, encontramos aquela trilha conferindo Àquele em quem o Pai Se comprazia, aflição imensurável aflição, angústia inexprimível, ignomínia sem fim, o mais amargo ódio, cruel perseguição; tanto de homens quanto de Satã, ficamos assombrados. E, quando encontramos aquela trilha levando ao Calvário, e lá contemplamos O Santo pregado na Cruz, nosso assombro é ainda mais profundo. Mas, quando a própria Bíblia declara que não somente Deus entregou Cristo nas mãos das mais odiosas humilhações da terra para ser injuriado e blasfemado, que Deus Ele próprio não era meramente um espectador daquela cena horrível, que Ele não somente contemplou os sofrimentos do Amado do Céu, mas que ELE também O castigou, torturou-O com a vara da Sua indignação, e despertou a espada para ferir o Seu “Companheiro” (veja em Zacarias 13:7); nós somos movidos a reverentemente questionar quanto às necessidades de tal evento sem paralelo.
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Que a encarnação, a humilhação e a crucificação do Filho de Deus foram exigidas , ninguém que (pela graça) saúda implicitamente perante a Palavra da Verdade pode duvidar por um momento sequer. A linguagem do Próprio Cristo neste ponto é clara demais para ser confundida. Para Nicodemos Ele disse, “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:14, 15). Aos Seus discípulos Ele declarou, que “...convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.” (Mateus 16:21). Assim também, no dia da Sua ressurreição, Ele perguntou, “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:26). Não obstante, tão plena e positiva quanto é a linguagem desses versos, nós devemos sempre nos colocar muito em guarda, a fim de que não tiremos deles conclusão a qual vá de encontro a outras passagens das Escrituras e nos leve a uma muito desonrosa concepção de Deus.
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Das passagens mencionadas, e outras de características similares, não poucos bons homens têm deduzido que os sofrimentos de Cristo eram uma exigência absoluta , que a própria natureza de Deus os tornou tão indispensáveis que fora deles a salvação dos pecadores era impossível; sim, que nenhuma outra alternativa possível apresentou-se à onisciência de Deus. A tais afirmações nós não podemos assentir, pois elas vão além da linguagem expressa da Escritura Sagrada. Conquanto plausível possa ser o argumento, conquanto lógica a dedução, nós devemos, onde a Escritura silencia, resistir a tão grave conclusão. Dizer que o Todo Sábio Próprio Deus não pudesse encontrar outra forma de salvar os pecadores, consistentemente com Sua santidade e justiça, do que a que Ele encontrou, é altamente presunçoso. Declarar que a Onisciência foi impotente, que Deus foi obrigado a adotar os métodos que Ele adotou, está perigosamente próximo da blasfêmia.
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Afirmar que Deus elegeu a melhor forma possível para engrandecer todas as Suas perfeições na redenção do Seu povo, é afirmar aquilo que está honrando a Divindade, mas declarar que esta foi a única forma, é ir além do que as Escrituras declaram. Que o amor e a sabedoria supremos buscariam as formas mais nobres para atingir os fins mais gloriosos, nós cremos firmemente; mas concluir que Deus foi incapaz de conceber nenhum outro método é mero fatalismo, e, podemos acrescentar, meio ateísmo. De acordo com o que teorizam alguns teólogos, nós devemos mudar o que se lê em Efésios 1:11 (“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”), para “...daquele que faz todas as coisas de acordo com as exigências da sua própria natureza.” Tampouco Cristo assim considerou no Getsêmane: Ele não aceitou o cálice amargo por causa da inexorabilidade da natureza de Deus, mas como resultado da Sua submissão à Sua vontade.
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Das palavras do nosso Salvador no Jardim, “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!” (Mateus 26:36), tem sido deduzido que era impossível que isso fosse feito. Em um sentido é verdade: Deus havia ordenado que Cristo devesse morrer, os termos da aliança eterna assim o exigiram, a vontade de Deus assim o demandou; então morrer Ele devia . Mas é algo muito diferente de dizer que quando a Divindade ordenou Seus conselhos, nenhuma outra alternativa pudesse ser planejada, que a morte de Cristo fosse uma necessidade absoluta e inevitável. É realmente impressionante notar, e digno da nossa mais reverente atenção, que no exato momento em que o nosso Salvador agonizante apresentou Sua petição, Ele disse, “Aba Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos 14:36).
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Ao concluir este ponto, não nos esqueçamos que a Expiação originou-se no absoluto excelente agrado de Deus. Ele não estava obrigado a salvar quaisquer pecadores, Ele não estava sob nenhuma obrigação de ao menos prover um Redentor. Que Ele assim o fez, foi algo puramente da graça, e, na própria natureza das coisas, o galardoardor da “graça” é livre , absolutamente livre, para galardoar ou não fazê-lo, caso contrário a mesma deixaria de ser “graça”, tornando-se algo devido ao que a recebe. Quanto ao método através do qual Deus escolhe manifestar a Sua graça, só podemos dizer que o Mediador apontado respondeu a cada perfeição de Deus e magnificou de forma superlativa todos os Seus atributos; e que este Salvador é ambos, o dom do Seu amor , e a nomeação da Sua vontade .
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Lembremos-nos uma vez mais que nos encontramos na esfera do mistério, profundo e insolúvel mistério, para a inteligência finita. A entrada do pecado no mundo, a infinita repulsa de Deus pelo pecado, as exigências morais do Seu governo referente à punição do mesmo, a salvação do Seu próprio povo do pecado, a magnificência do Seu próprio nome através de tal salvação, são alguns dos elementos principais adentrando a este mistério; e a relação que todo o plano da graça Divina tem para com ele, é o que agora nos prende a atenção. Cônscios da nossa absoluta incapacidade de até mesmo nos embatermos com isso, quanto menos ainda resolver um problema tão profundo; cônscios de que raciocinar sobre isso é pior do que fútil, nos voltaríamos reverentemente, em humilde dependência do Espírito da Verdade, às Sagradas Escrituras, para verificar que luz aprouve a Deus lançar sobre este mistério dos mistérios.
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1. A EXPIAÇÃO FOI EXIGIDA PELA VONTADE DE DEUS
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Se esse não for o nosso ponto de partida, certamente erraremos. A Palavra de Deus declara, incondicionalmente, que Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade.” (Efésios 1:11). A extensão completa desta passagem contem uma revelação dos eternos conselhos de Deus para com o Seu próprio povo. Ela nos leva a até antes da fundação do mundo, ao momento quando Ele os escolheu em Cristo. Ao mesmo tempo em que revela que foi em amor que Ele os predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, o texto também acrescenta de uma vez que nós temos “redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (v. 7), todavia logo em seguida nos é dito, “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o beneplácito, que propusera em si mesmo.” (v. 9).
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A passagem acima torna abundantemente claro para toda mente imparcial, que a Expiação ou a Redenção que Deus tão graciosamente concedida para os Seus eleitos, nasceu de nenhuma obrigação em Sua própria natureza ou de quaisquer reivindicações que as Suas criaturas tivessem para com Ele. Não são poucos os escritores e pregadores que têm blasfemamente insistido que a queda do homem obrigou a Deus providenciar um Redentor. Eles têm tido a arrogância de afirmar que desde que uma vez que o Criador permitiu a Adão trazer a ruína sobre si e sobre sua descendência, o mínimo que Ele poderia fazer era levantar um Restaurador. Dizem eles que as exigências da situação a qual o pecado introduziu no mundo, requereu que algum tipo de medicação seja dado, que neutralize seus efeitos nocivos. Resumindo, estes caluniadores do Mais Elevado têm argumentado que a Expiação foi imperativa , se devesse Deus justificar Sua criação do homem e inocentar a Si próprio por haver permitido que o homem perdesse sua integridade. É para com tais rebeldes arrogantes que Judas 1:10 refere-se, “Estes, porém, dizem mal do que não sabem.”
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Outros, que deram expressão à inimizade da mente carnal contra Deus numa forma mais moderada, têm insistido que a benevolência de Deus exigiu dEle que providenciasse um Salvador para os pecadores. Enquanto permitindo que ao próprio homem fosse imposta toda culpa pela condição na qual ele agora se encontra, enquanto concordando que Deus puniu com justiça a desobediência dos nossos primeiros pais em ordenar que todos os seus descendentes devessem provar o amargor do salário do pecado, todavia eles imaginam que a pena de Deus para com os filhos do Adão caído O obrigou a providenciar um Salvador para os pecadores. Uma refutação cabal deste erro amplamente crido é encontrada no tratamento dispensado pelo Criador para com os anjos caídos: nenhum Salvador foi provido a eles! “... Deus não perdoou aos anjos que pecaram...” (II Pedro 2:4). Existe prova evidente de que a benevolência de Deus não fez a Expiação imperativa.
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Quaisquer que sejam as reivindicações que uma criatura não caída possa ter contra Deus, certamente um rebelde contra Ele tem direito a nada mais a não ser um julgamento sumário. Nem podem aqueles que desrespeitam o Seu governo moral por qualquer ato que seu , colocá-LO sob a obrigação de prover-lhes uma base legal de libertação do pecado. Dizer que o podem, seria investir pecadores culpados com o poder de controlar o Divino Legislador, e abstrairia completamente a graça de Deus das suas características de soberania, de liberdade e de ser favor imerecido. Não, não houve nada seja nas perfeições do caráter de Deus, nem nas reivindicações das Suas criaturas, fizesse da Expiação uma necessidade absoluta. O propósito de Deus de salvar um remanescente em conformidade com a eleição da graça proveio somente da Sua própria livre e soberana vontade: a provisão de um Salvador para salvar o Seu povo dos seus pecados nasceu de nada senão da própria determinação de Deus.
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2. A EXPIAÇÃO FOI EXIGIDA PELA LEI DE DEUS
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Ao dizer que a Expiação foi exigida pela Lei, não contradizemos o que foi dito acima, como claramente mostrar-se-á se atenção cuidadosa for prestada às sentenças que imediatamente se seguem. A vontade soberana de Deus foi exercida em no mínimo duas coisas com respeito à Expiação: primeiro, em Seu propósito original de salvar pecadores, pois tal foi unicamente Seu absoluto beneplácito; segundo, no processo decretado de acordo com o qual eles deviam ser salvos, ou seja, através da obra vicária de um Redentor. Havendo tencionado salvar o Seu povo da ira porvir, pareceu bem a Deus determinar que os pecados deles fossem perdoados de uma maneira através da qual a Sua Lei fosse honrada e engrandecida. Mas que seja cuidadosamente lembrado que também nisto agiu Deus absolutamente livre, e não a partir de qualquer coação. A própria Lei é de Sua própria nomeação, e não algo superior a Ele mesmo. Havendo tencionado salvar , a Aliança Eterna foi formulada, e tendo o Mediador livremente aceito os seus termos e tendo voluntariamente Se colocado sob a Lei, dali em diante tudo foi feito em obediência à Lei. Assim, a Trindade Eterna tendo decidido que a redenção fosse efetuada sob a Lei, tudo foi operado em perfeita conformidade com a Lei.
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È à luz destes fatos que as passagens enunciadas num parágrafo anterior, com respeito à necessidade relativa da Expiação, devem ser interpretadas. “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.” Não houve nenhuma necessidade absoluta em qualquer dos casos. Foi a graça soberana, pura e simples, que proveu um modo de vida para os Israelitas culpados, que estavam a morrer no deserto. Foi por indicação Divina que ambos, a serpente de bronze e o Antítipo foram “levantados”. Assim que em Mateus 16:21: Cristo “devia” ir a Jerusalém e ser morto. Por que? Porque Deus assim ordenara, porque os termos da Aliança Eterna assim o exigiram. Do mesmo modo não era possível que o “cálice” passasse do Salvador agonizante. Por que? Porque Deus determinara que a salvação viesse ao Seu povo através dEle bebendo daquele cálice; dessa forma havia sido inalteravelmente determinado. “Sem derramamento de sangue não poderia ter havido remissão”, é o que não encontramos escrito em lugar algum das Escrituras. Mas sob o regime que Deus instituiu, “ sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9:22).
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Foi muito bem dito que “A obra da redenção, assim como o curso da natureza, procede em conformidade com um plano pré-determinado, e sob lei absoluta e invariável, lei tão exata como aquela que governa o universo material. Cada fim contemplado pela mente divina na esfera do espiritual, e todos os meios para os atingi-los sob o reino da lei absoluta, foram determinados, com exatidão infinita, desde o princípio.” (Dr. J. Armour).
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As analogias entre o reino da lei nas esferas natural e moral são tanto próximas quanto numerosas, a primeira servindo para esboçar, para descrever a segunda. Por exemplo, primeiro, cada lei no mundo natural, tal como aquela da recorrência das estações climáticas ou a da gravitação, foi ordenada e imposta pelo Criador de acordo com a Sua própria e soberana vontade. Assim também cada lei na esfera moral, como aquela do semear e colher, pecado e sua punição, foi determinado por Deus. Segundo, o reino da lei, como tal, é invariável e inexorável: não conhece nenhuma exceção. Se o mais querido filho na terra ingerir veneno por engano, os efeitos produzidos serão precisamente os mesmos como se o vilão mais odioso tivesse deliberadamente feito com que ele acabasse com sua existência terrena. Terceiro, ainda, embora a lei e suas exigências não possam ser desacatadas impunemente, uma lei mais elevada pode ser posta em prática revertendo a ação de uma lei inferior. Venenos têm seus antídotos. A lei da gravidade pode ser superada pela ação de levantar-se um objeto do chão. Uma lei nunca é suspensa, mas um poder mais elevado pode intervir e livrar dos efeitos de uma lei inferior, através do engrandecer uma lei superior. Foi este o caso com a Expiação.
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A lei exige conformidade para com os seus preceitos. Mais perfeita, maiores as obrigações com respeito à mesma. Dada uma lei que é “santa e justa e boa” (veja em Romanos 7:12), e obediência torna-se imperativa. Para Deus revogá-la ou mesmo suspendê-la, seria equivalente a reconhecer que nela havia algum defeito. Isto nunca poderia ser. Portanto, criaturas criadas sob aquela lei devem, por obrigatoriedade, prestar obediência à mesma. No caso de falharem, então, antes que fosse possível justificá-los, isto é, proclamá-los íntegros, à medida do padrão exigido, alguém deve satisfazer a lei em seu lugar, e sua retidão e obediência imputados à conta deles. Isto foi o que realmente foi feito. Cristo foi “nascido sob a lei” (Gálatas 4:4), “cumpriu-a” (Mateus 5:17), e a Sua obediência foi colocada para o crédito legal de todo o Seu povo (veja em Romanos 5:19), de forma que eles agora, nEle sejam “feitos justiça de Deus.” (II Coríntios 5:21).
A lei não somente exige obediência aos seus preceitos, mas requer a punição dos seus transgressores. Sua sentença imutável é “a alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4). Na medida em que o Próprio Deus declarou assim, e Ele “não pode mentir”, segue-se inevitavelmente que aonde quer que o pecado seja encontrado, certamente a morte, com tudo o quanto ela inclui, deve seguir-se. O Senhor afirmou expressamente que Ele “ao culpado não tem por inocente” (Êxodo 34:7). A única saída para os transgressores da lei é que Outro sofra a pena em seu lugar. Sob o regime instituído por Deus, fosse Ele perdoar sem que satisfação fosse dada à Sua lei quebrada através de um Substituto receber a paga pelos pecados, então, Deus não somente atropelaria Sua própria lei, mas também desconsideraria Sua solene intimidação, e a Bíblia diz que Ele “não pode negar-se a si mesmo.” (II Timóteo 2:13). Portanto, o Próprio Deus providenciou aquele sacrifício impressionante, sobre o qual caiu a justa penalidade da lei.
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Para compreender-se corretamente a obra da Redenção, é de todo importante que tenhamos visão correta da lei de Deus, a qual o homem transgrediu, e o estado no qual ele, por rebelião, caiu. A lei de Deus aponta a tarefa do homem, exigindo dele aquilo que é correto e justo. Não pode ser alterada o mínimo que seja, para exigir mais ou menos. É, portanto, uma regra inalterável de retidão. Esta lei necessariamente implica, como sendo essencial a tal, em uma sanção e uma penalidade — uma penalidade exatamente adequada à magnitude do crime cometido pela transgressão da própria lei. Cada criatura que encontra-se sob a lei está obrigado através de infinitos comprometimentos, a obedece-la, sem o menor desvio da mesma, durante toda a sua existência. Mas ao transgredi-la, o homem justamente incorreu nas penalidades e caiu sob sua maldição: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gálatas 3:10).
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Agora, a maldição sob a qual pecadores caíram, não pode ser removida, nem os transgressores libertados, até que satisfação completa a ela tenha sido proporcionada. Satisfação tal, que o transgressor por si mesmo é inteiramente incapaz de dar. “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele, pelas obras da lei...” (Romanos 3:20). Porque a lei de Deus é uma expressão imutável da Sua vontade e do Seu caráter moral, nem as suas demandas ou suas ameaças podem ser diminuídas. A autoridade da lei deve ser mantida. Perdoar sem uma justificação, sem uma satisfação à lei, seria agir contra a própria lei. Esta barreira insuperável no caminho da libertação do pecador é o que fundamente a relativa exigência de um Mediador e Salvador.
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De maneira que a maldição da lei seja removida de sobre aquele que incorreu no anátema, ela deve recair sobre alguém outro, que seja feito maldição no lugar do primeiro. É neste ponto que as maravilhosas riquezas da graça Divina foram demonstradas. Não somente o Cristo de deus “nasceu sob a lei”, não somente Ele prestou obediência perfeita aos preceitos da lei, mas adicionalmente — Ó maravilha das maravilhas — Ele, “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13). A ele o Próprio Deus pré-ordenou e “propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja [não simplesmente “misericordioso”, mas] Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rm 3:25,26).
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3. A EXPIAÇÃO FOI EXIGIDA PELO PECADO
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Ao declarar que a Expiação foi exigida pelo pecado, que não se suponha nem por um momento sequer que a entrada do pecado neste mundo tenha sido uma calamidade não antecipada pelo Criador, e que a Expiação seja a Sua forma de remediar um defeito da Sua obra da criação. Longe disso. Tão distante quanto a queda do homem tendo sido não prevista por Deus, o Cordeiro foi “conhecido, ainda antes da fundação do mundo” (veja em I Pedro 1:19, 20). A tragédia no Éden não era desconhecida — por catástrofe, mas pré-vista e permitida por Deus, por Suas próprias e sábias razões. No, nós nos utilizados do termo “exigida” no título deste terceiro tópico no sentido de uma exigência condicional . Como tentamos mostrar no capítulo anterior; o motivo, a razão fundamental para todos os atos de Deus é encontrados nELE Próprio; e a razão, o motivo é sempre e sempre para a Sua própria glória. Mas “glória” é excelência manifesta, portando Deus engrandece, magnífica Sua glória manifestativa através do exercício e da exibição de Suas perfeições múltiplas.
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Deus maravilhosamente usou o pecado como uma ocasião para demonstrar os Seus próprios atributos. Ele o utilizou como um cenário, um pano de fundo escuro, do qual brilhou de forma mais resplandecente as belezas da Sua sabedoria, Sua santidade, Sua fidelidade, Sua graça. Assim é que Ele usou a própria cólera do homem para o Seu louvor (veja em Salmo 76:10). Deus é inefavelmente santo. Como tal, Ele é absolutamente livre de qualquer e de cada vestígio de poluição moral. Ele Se delicia com tudo quanto seja puro, e portanto Ele odeia o que quer que seja impuro: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar.” (Habacuque 1:13). Agora, o pecado é diretamente oposto à santidade de Deus, pois o pecado é essencialmente impuro, imundo, abominável; portanto é objeto de Sua abominação contínua. Como então será a aversão, a repulsa de Deus para com o pecado demonstrada, a não ser pelo Sua punição do mesmo?
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A Expiação relativamente exigida pelo pecado é óbvia de outras considerações. Tivesse a criatura nunca caído, ela nunca teria merecido o salário do pecado. Tivesse o homem nunca transgredido a lei de Deus, nenhuma satisfação teria sido exigida para a honra ultrajada da lei. Sendo o pecado ofensivo a ambas, à natureza e à lei de Deus, faz com que todos quantos o cometem estejam sujeitos ao Seu desprazer. Novamente; o pecado é uma grave desonra à glória manifesta de Deus (veja em Romanos 3:22), um insulto direto direcionado à alta Majestade do Céu, e fosse o pecado perdoado sem uma satisfação adequada, seria o mesmo que dizer que Deus pode ser insultado com impunidade. Mas se a santidade de Deus exige que o pecado seja punido, se a lei de Deus exige que uma satisfação seja apresentada à sua honra, como os transgressores da lei podem possivelmente escapar? O pecado cavou um abismo entre Aquele que é três vezes Santo e os que se rebelaram contra Ele (veja em Isaías 59:2). O homem é completa e inteiramente incapaz de tapar aquele abismo, ou de atravessá-lo.
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Muito bem exclama Jó, “Porque Ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo. Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.” (9:32,33). Ah, um ”Árbitro”, um Mediador , alguém capaz de vir “entre nós”, é o que era tão urgentemente necessário, exigido. E do que carecia a condição terrível dos pecadores caídos, a inigualável graça de Deus graciosamente providenciou. Cristo é a resposta Divina à rebelião diabólica dos nossos primeiros pais. E em Cristo, e por intermédio de Cristo, cada atributo de Deus foi glorificado e satisfeita cada exigência de Sua lei. Através da encarnação, da vida e da morte, de Seu Filho sagrado, Deus mostrou a todas inteligências criadas que coisa terrível é o pecado, que horrível brecha foi criada por este entre o Próprio Deus e Suas criaturas, quão imparcial é a Sua justiça, que oceano de amor há em Seu coração ao ponto de promover a felicidade de Seu povo, e acima de tudo, Ele assegurou e antecipou Sua própria glória manifesta, pela honra prestada a todos os Seus atributos. Através da Expiação, Deus foi vindicado.
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Mas que seja este o pensamento final do nosso capítulo: foi o pecado que exigiu a Expiação. Que cada leitor Cristão faça desse pensamento o seu próprio e individual pensamento: foram os meus pecados que trouxeram o eterno Filho de Deus a este mundo de escuridão e de morte. Não houvesse nenhum outro pecador além de mim, ainda assim Cristo certamente teria vindo aqui. Sim, foram meus terríveis e imperdoáveis pecados que fizeram com que o Senhor da glória se tornasse “o Homem de Aflições”. Foram os meus pecados que exigiram que o Amado do Pai descesse até tal incomensurável profundeza de vergonha de sofrimentos. Foi por minha causa que O inefavelmente Santo foi “feito maldição”. Foi por mim que Ele enfrentou a Cruz, sofreu a separação de Deus, e provou do amargor da morte. Ó, que possa a compreensão disso me fazer odiar o pecado , e clamar todo dia a Deus por libertação completa do mesmo. Que possa o entendimento de tão maravilhosa graça me constranger a viver somente para Ele, Aquele que “me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim.” (Gálatas 2:20).
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A. W. P
Eli Daniel da Silva

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